JUDEUS NA BOLÍVIA

 

   
   O início da comunidade


    A história dos judeus na Bolívia pode ser rastreada desde os tempos coloniais quando judeus expulsos da Espanha imigraram para a Bolívia (que na época era um território pertencente ao Peru, que, por sua vez, era uma colônia espanhola).Os judeus que chegaram lá começaram a trabalhar nas minas de prata, em Potosí, e alguns ajudaram a fundar a cidade de Santa Cruz de la Sierra em 1557. Até hoje é possível encontrar famílias não judaicas, mas com costumes próprios da religião judaica porque seus ancestrais provavelmente eram judeus.
Até 1900, nem um judeu havia “fincado pé” na Bolívia, mas em 1905 chegam judeus russos, seguidos por argentinos e sefaradim da Turquia. Em 1917 havia em torno de 25 a 30 judeus na Bolívia, e em 1933 (quando Hitler torna-se führer na Alemanha) havia 30 famílias de ascendência judaica. A primeira real grande imigração judaica aconteceu ainda na década de 30, cerca de 7000 judeus chegaram ao território boliviano e ficam concentrados principalmente na capital boliviana La Paz. Por volta da década de 40 começaram as emigrações para outros territórios e saíram 2200 judeus da Bolívia.Foi também nessa época que surgiram comunidades em cidades como: Cochabamba, Oruro, Sucre, Tarija e Potosí.
É possível notar também que por volta de 1939 houve um descontentamento do governo boliviano com os judeus, já que estes entraram com vistos para trabalhar na área agrícola e estavam trabalhando em áreas de comércio e indústria. A comunidade judaica vivia em más condições econômicas em 1939 e recebeu apoio de organizações judaicas de outros países. Foi também nesse ano que a maior leva de imigrações ocorreu no país. Em 1940 foi suspenso o visto dos judeus em terras bolivianas, mas isso não impediu a chegada de um grupo de judeus poloneses após a segunda guerra mundial.

    O crescimento da comunidade e a criação de instituições judaicas

    Em 1935 foi criado, com a ajuda da Comunidade Germânica Israelita e de judeus do leste europeu, o Círculo Israelita. A partir daí houve ainda o estabelecimento de diversas instituições judaicas como: Chevra Kadisha, Cemitério Israelita, Bikur Cholim (instituição que cuida dos idosos),WIZO e o Macabi. Em La Paz, centro da grande maioria dos judeus, foi mantido também um Colégio Israelita que por causa de seu grande nível educativo acabou misturado também com comunidades não judaicas. Em 1950 e 1960 houve uma emigração muito grande de judeus da Bolívia o que danificou seriamente o sistema educativo judaico na região.
Fora da capital boliviana também havia uma escola judaica (que só era para o jardim de infância) em Cochabamba, que depois de La Paz era a maior comunidade do país.

    Hoje em dia

    Atualmente há cerca de 600 judeus na Bolívia; 300 deles vivem em La Paz, 180 vivem em Santa Cruz e 120 em Cochambamba. Ainda há em La Paz um Colégio Boliviano Israelita, mas a maioria dos alunos não são judeus. A imprensa judaica na Bolívia tem pouca voz ativa e fica só em artigos publicados pelo Colégio Israelita, pela Federação Sionista Unida e pela B'nei B'rith.
A situação econômica da comunidade judaica é difícil fazendo assim que reine um sentimento de insegurança. Outra preocupação é que grupos de direita, xenófobos, demonstraram também sentimentos anti-semitas e por isso os judeus estão diminuindo cada vez mais seu número na Bolívia.Há emigração para os Estados Unidos e Israel.


* Data: 1994

CHAZIT HANOAR

Chazit Hanoar

Porto Alegre

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