FRANZ KAFKA

                                                 A emoção que lhe faltou em vida, Franz Kafka compensou, com muita imaginação, em suas histórias. Nascido em julho de 1883, em Praga, era filho de uma típica família judia classe média, da qual escolheu como ícone seu pai, um comerciante autoritário, cuja figura patriarcal ficou associada, na cabeça do escritor, até o final de sua vida, a de um gigante, ao mesmo tempo fascinante e desprezível. Carta ao Pai, escrito em 1919, é um longo desabafo em que Kafka responsabiliza o pai (que é claro, nunca recebeu a tal carta) por sua incapacidade de viver, casar e amar como os outros. Escolherá a literatura para tentar exorcizar esse fantasma.

    Aluno exemplar e brilhante, ainda assim viveu isolado, fruto de sua condição de judeu em Praga. E será procurando iguais que conhecerá, em 1920, Max Brod, confessor, amigo e, mais tarde, o responsável pela divulgação de suas obras. Doutorando em 1906, Kafka entrou para uma companhia de seguros, a Assocurazione Generalli, que, se lhe dava segurança financeira, o impediu, por anos, de dedicar-se apenas à literatura. Visto pelos chefes como incansável e ambicioso, levou uma vida dupla até que, em 1917, foi obrigado a incontáveis licenças para tentar curar a tuberculose que, em 1922, o aposentou na marra e o matou dois anos mais tarde, em junho de 1924, num sanatório em Kierling, perto de Viena.

    Personalidade complexa, envolveu-se com alguns socialistas, entre eles, uma de suas paixões, Dora Diamant. Entre as outras poucas mulheres que passaram por sua vida estavam Felice Bauer e Milena Pllack, amores infelizes. Tímido em seus casos, era, segundo consta, um homem agradável e bem humorado, boa companhia para os amigos e funcionário modelo, apesar do mito de tristeza e tédio profissional. Graças a força do seu texto, o "quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se metamorfoseado num inseto monstruoso"passou a ser um pesadelo para todos nós.

Matéria de Carlos Haag publicado no Estado de São Paulo em 24.8.1997

    Franz Kafka começou a escrever aos 15 anos seus primeiros trabalhos. Infelizmente, quase todos os textos dessa época foram queimados pelo próprio escritor em 1907, quando ele tinha vinte e quatro anos, depois de uma crise em relação ao seu trabalho de escrita.

    A maior parte das obras de Kafka foi publicada postumamente. Como intelectual, apesar de participar da vida cultural de Praga na virada do século, o escritor teve muito mais uma participação passiva e reservada nos colóquios literários da cidade, do que destacadas intervenções. Seu círculo de amigos era composto de poucas pessoas e seus trabalhos, enviados as editoras e jornais normalmente depois de insistência de outros admiradores de sua obra, como outro conterrâneo e próximo a Kafka, Max Brod.

    A obra de Franz Kafka comecou a ganhar influência fora da esfera do seu círculo de amigos em Praga, durante os anos 20 e principalmente na Franca, iniciando-se por André Breton e o grupo em torno da revista "Minotauro". Mais tarde as obras de Kafka foram descobertas por Jean Paul Sartre e Camus, e chegaram até os países de expressão inglêsa. Com a eclosão da 2.a Guerra Mundial, os livros de Kafka foram proibidos e manuscritos confiscados pelo governo alemão, suas irmãs foram deportadas para campos de concentracão na Tchecoslováquia e lá executadas e amigos imigraram. Apenas em 1950 os livros de Kafka retornam para a Alemanha.

Cronologia:


Bibliografia

As obras seguintes estão ordenadas assim como foram editadas na Alemanha, e o ano de edição:


    O número de livros sobre Kafka é hoje incalculável, talvez vários milhares incluindo todas as teses de mestrado e doutorado. Alguns porém são fundamentais, sendo que hoje, vários já estão traduzidos para o português.

Alguns livros sobre Franz Kafka:

      Fonte: Franz Kafka - por Alexander Thoele

Alguns contos de Kafka se encontram em: http://planeta.terra.com.br/arte/ecandido/kafka.htm

CHAZIT HANOAR

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