HANNAH ARENDT (1906-1975)

                                                             

        "Sou uma judia alemã levada de sua terra natal pelos nazistas”

            Teórica política de grande renome e importância mundial, Hannah Arendt segue sendo, hoje, mesmo tendo passado vários anos de sua morte, uma das mais citadas e lidas filósofas e pensadoras. Sua obra é extremamente abrangente dentro do campo da filosofia política e é, atualmente, estudada em diversos cursos em todo mundo, tais como Ciência Política, Filosofia e Direito.

            Hannah Arendt nasceu em Hanover, na Alemanha, em 14 de outubro de 1906, filha de Paul e Martha Arendt, ambos judeus russos de nascimento.

Sua infância foi marcada por terror e traumas. Aos sete anos, Hannah perdeu seu pai. Pouco depois, teve de conviver com conflitos da Primeira Guerra Mundial perto de sua casa. Sua mãe casou-se novamente em 1920, dando a Hannah duas meias-irmãs.

Em 1924, Hannah foi para a Universidade, onde teve aulas e manteve um relacionamento amoroso com o filósofo Heidegger, que viria a se tornar extremamente famoso e importante no campo da filosofia. Hannah passou a se interessar, dentro da faculdade, por várias diferentes áreas da filosofia.

Em setembro de 1929, Hannah casou-se com Günter Stern. Nesse mesmo ano, concluiu sua tese de Mestrado sobre o amor no pensamento de Santo Agostinho, um dos mais respeitados filósofos cristãos e foi fazer Doutorado.

Com a ascensão do Governo Nazista na Alemanha, em 1933, Hannah tornou-se uma ativista política, pesquisando e escrevendo sobre a propaganda anti-semita e sendo, por isso, presa pela Gestapo (polícia nazista). Na prisão, ganhou a simpatia de um carcereiro que a libertou. Após a saída da prisão, Hannah foi para Paris, França, onde residiu até o final da década.

Em Paris, trabalhou na Youth Aliyah, ajudando a resgatar crianças judias da Alemanha e a levá-las para o que viria a se tornar o Estado de Israel. Após divorciar-se de Günter Stern, casou-se com Heinrich Blücher, de quem foi separada após a invasão alemã na França, em 1940. Hannah foi levada para o campo de refugiados de Gurs, de onde fugiu, ao reencontrar seu marido, para Nova Iorque, Estados Unidos.

Assistindo ao final da Segunda Guerra dos Estados Unidos, Hannah teve a idéia de escrever um de seus mais importantes livros: “As Origens do Totalitarismo”, no qual mostra o totalitarismo como uma nova forma de governo baseada na organização de massas apoiada no emprego do terror e de forte e contundente ideologia. Relaciona também, nessa obra, o imperialismo, o anti-semitismo e o totalitarismo. Esse livro só seria publicado em 1951.

Hannah começou a escrever e a obter espaço em jornais e revistas judaicos, nos quais defendeu a existência de um exército judaico e a convivência pacífica entre árabes e judeus num futuro Estado na Palestina.

Seus livros seguintes, como, por exemplo, “A Condição Humana”, podem ser caracterizados mais como uma tentativa de reconstrução da filosofia política do que como uma abordagem histórica da política. Na introdução de “A Condição Humana”, Hannah escreveu:

        “o que proponho nas páginas que se seguem é uma reconsideração da condição humana à luz de nossas mais novas experiências e de nosso temores mais recentes”

A obra mais controversa de Hannah Arendt tem como ponto de partida um fato não menos controverso: em 1960, agentes israelenses capturaram, em Buenos Aires, Argentina, um dos principais responsáveis pelo extermínio de judeus nos campos de concentração nazistas, Adolf Eichmann, e levaram-no para Israel. Hannah cobriu o julgamento de Eichmann em Jerusalém como correspondente internacional e escreveu, a partir de seus artigos escritos na época, “Eichmann em Jerusalém”, livro em que ela mostra a “banalidade do mal”, afirmando que Eichmann não levou milhares de judeus ao extermínio por puro sadismo ou por anti-semitismo, mas simplesmente por “não pensar” no que fazia. Nesta obra, ela ainda escreveu que teriam morrido menos judeus no Holocausto se os Conselhos Judeus não tivessem colaborado, em diferentes níveis, com os nazistas. Essa afirmação gerou revolta no mundo judaico e fez com que acabassem as relações de Hannah com a comunidade judaica.

Hannah Arendt morreu aos 69 anos, em 1975, tendo recebido prêmios por sua obra que nenhuma outra mulher recebera até então. Arendt é, pois, um marco como uma das maiores, se não a maior, pensadoras da História.  

Fontes:
            www.us-israel.org
            Condição Humana”

            “Origens do Totalitarismo”
            “Eichmann em Jerusalém”   

Para saber mais: http://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/biography/arendt.html

CHAZIT HANOAR

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