O RENASCIMENTO (aprox 1300-1600 E.C.)

"Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha tua vã filosofia, Horácio" 
Hamlet - William Shakespeare

   
    Houve uma radical mudança no pensamento humano entre os anos de 1300 a 1600 em grande parte do planeta em que as pessoas passaram a valorizar mais a razão e não somente a fé, como era anteriormente.

    O renascimento, inciado após as Cruzadas, devido à abertura do comércio e intercâmbio cultural com os árabes, que conheciam a cultura greco-latina iniciou uma nova era no mundo. Neste momento, caía o antigo regime feudal. O renascimento influiu na política, artes, ciências, filosofia, religião, comércio – em toda a vida européia.

    Nas artes destacaram-se Botticelli, Da Vinci, Camões, El Greco, Cervantes, Shakespeare, etc. Utilizaram a perspectiva e passaram a valorizar o homem em suas obras. As obras literárias passaram a contar histórias terrenas ao invés de encenar atos religiosos.

    Nas ciências, apareceram Copérnico, Galileu, Kepler, Descartes, entre outros. Provaram que a Terra gira em torno do Sol, contrariando a tese da Igreja, revolucionaram as ferramentas da matemática e desenvolveram instrumentos astronômicos, muito úteis nas navegações dos séculos XV e XVI.

    Na política, surge Maquiavel, teórico do Estado Absolutista, sistema de governo que vigoraria até o século XIX e Thomas Morus, que propôs a Utopia. Destacaram-se também aqueles que satirizaram a Igreja, como Rabelais e Erasmo de Rotterdam.

    Este fenômeno chamado renascimento, logicamente, também afetou os Judeus, as comunidades judaicas mais afetadas foram: Itália, Holanda, Pernambuco e na Palestina. Vejamos agora qual era a situação nestes locais.

    Desde o tratado de Verdun (843) a Itália pertenceria ao sacro Império, porém isso era só na teoria. O país era bem dividido - a parte setentrional foi a mais afetada pelo renascimento. Outras regiões continuavam sendo governadas pelas igrejas e em outras os imperadores conseguiram manter o controle. Por isso, a história dos judeus no país não é uniforme, ela varia muito segundo a região e a época. No sul da Itália residiam varias nacionalidades, o que beneficiava os judeus. Essa região também serviu de ligação cultural entre o mundo Islâmico e as comunidades européias. Na primeira metade do século XII os judeus participavam das atividades econômicas e culturais que caracterizaram este período, porém, logo após a morte do Imperador Frederico II, um nobre Francês tomou o poder, repetindo assim os dramas de intolerância religiosa, opressão fiscal e perseguição generalizada. Com a chegada dos espanhóis, a situação voltou a melhorar, mas apenas por um curto espaço de tempo, pois em 1492 houve a expulsão dos judeus das terras em que haviam habitado desde o império romano.

    Já em Roma, o poder era exercido por estados papais, onde curiosamente os judeus eram bem tratados. Não houve massacres, expulsões ou acusações de sangue.

    A Itália do Norte continha poucos judeus até o século XV, porém, logo chegaram os refugiados da França e Alemanha, estes se transformaram em comerciantes, mas logo começaram a receber preconceito dos demais.

    Porém, o que de mais relevante podemos tirar dos Italianos em relação aos judeus foi que eles foram os inventores do gueto. Em 1516, o patriarca da Igreja Veneziana, Zaccaria Dolfin determinou que todos os judeus fossem confinados numa área denominada Ghetto Nuovo. Esse caso explica bem o que ocorreu com os judeus nestes anos. Muitos judeus eram usurários, pois era o nicho em que lhes era permitido sobreviver, visto que a Igreja havia proibido o empréstimo a juros para seus seguidores. Por isso os judeus eram odiados e utilizados como instrumento dos nobres para extrair dinheiro da população, usando impostos altíssimos. Muitas vezes eles eram massacrados ou expulsos devido a dívidas que os nobres contraíam com eles e não se dispunham a pagar. Portanto, incentivavam a população a massacrar os judeus, o que funcionava tanto como válvula de escape da má condição social que as massas ainda enfrentavam quanto como melhoria econômica para os nobres.

    Dentro do clima revolucionário do século XVI, libertando-se do domínio Espanhol, surge um novo país, chamado Holanda, que estava destinado a assombrar seus contemporâneos. As características do país, que podem ser resumidas a liberdade econômica, liberdade política e liberdade intelectual, tornaram o país num belo atrativo para os judeus e em poucos anos passaram a abrigar a maior comunidade judaica da Europa ocidental. Os judeus participaram da companhia das Índias Ocidentais, devido às suas fluências em diversas línguas, também tomaram a bolsa de valores de Amsterdã, também se destacaram como comerciantes. Nesta mesma época, o intelectual Manassés ben Israel notabilizou suas maiores obras no país, o livro “El conciliador”, além de seus argumentos de que os judeus tinham direito de retornar à Inglaterra. Além dele, vários outros intelectuais surgiram nesta época, como Saul Levi Morteira, Davi Pardo e Isaac Aboab da Fonseca, que viria a tornar-se o primeiro rabino da América e é claro que não podemos esquecer de Baruch Spinoza que escreveu o polemico “Tratado Teológico-politico”.

    Quanto ao Brasil, o país acabava de se tornar o maior produtor de cana-de-açúcar e isso se dava muito pelo fato de os cristãos-novos, antigos judeus, terem se convertido e se misturado à população, formando vários soldados, mecânicos, capitães e muitas outras atividades essenciais. Estes habitavam principalmente as cidades de Olinda e Salvador e muitos eram acusados de “judaizar”, porém a condenação não era tão forte quanto na Europa. Pernambuco havia sido conquistado pelos holandeses que queriam lucrar com o comércio da cana. Eles trouxeram consigo muitos judeus e lá se formou a primeira sinagoga do Brasil. Esses judeus seguiam os costumes sefaradis e muitos ficaram em Pernambuco após a expulsão dos holandeses.

    A palestina na época do renascimento ainda era dominada pelo império Otomano. Analisaremos a história dos judeus nesta região: encontraram uma incrível facilidade para migrar a esta região, em poucos anos já eram 10% da população de Istambul, a língua oficial destes judeus era o ladino, que continua sendo usada até hoje pelos sefaradim. O processo é semelhante ao já visto anteriormente na Espanha, onde judeus tomaram cargos importantes na política e no comércio, como Dom José Nassi, que influía diretamente no governo otomano. Na área que hoje constitui Israel, havia populações significativas de judeus em Hebron, Jerusalém e Tzfat.